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segunda-feira, agosto 14, 2006

MEU PAI, UM HERÓI

Ermélio E. de Azevedo, 1906-1990


GRATIDÃO A DEUS


Agradeço, Senhor, pelo pai que nos deu.
Um homem simples, de mãos calejadas que adquiriu sua sabedoria na comunhão contigo e nas Sagradas Escrituras.
Um homem imperfeito como todos os seres humanos, mas alguém que foi um exemplo para todos nós, seus filhos.
Ele ensinou-nos, na prática, o que significa ser um cristão de verdade.
Ensinou-nos no dia a dia que o justo vive pela fé.
Lembro-me que ele chegava do serviço braçal, com as mãos calejadas, cheias de graxa, tomava seu banho, e nos reunia à mesa para o jantar – sempre com uma oração de gratidão a Deus. Era de pequena estatura física, com os músculos fortalecidos pelo trabalho duro. Tranqüilo em sua grandeza.
Ensinou-nos a virtude da perseverança, a atitude confiante diante das crises e incertezas, a generosidade de coração, em todas as horas.
Lembro-me que, antes da gente ir dormir, nos reunia para o culto doméstico. Mesmo exausto, após o dia de trabalho,
abria sua Bíblia e nos falava sobre a beleza
do amor de Deus manifesto em Jesus Cristo.

Lembro-me dele com gratidão.
Ele não deixou fortuna, mas dedicou-se com abnegação para que todos seus filhos tivessem oportunidade de estudar.
Ele negou seus próprios sonhos para que pudéssemos realizar os nossos.
Legou-nos a nobreza da vida cristã levando-nos, sempre, à Igreja Presbiteriana local - onde aprendemos as primeiras lições da Palavra de Deus, conhecendo um pouco do Antigo e do Novo Testamento.
Deixou um nome honrado na cidade onde crescemos.
Em meio a tantas mazelas provincianas fez brilhar valores que não se compram com dinheiro, nem se conquistam com privilégios ou carreira política. Apesar de seu pouco estudo sabia aconselhar a todos os que chegavam à sua oficina.
Muitas pessoas daquela cidade lembram dele como
um homem de Deus. Sua maior riqueza, a dignidade;
sua absoluta certeza, a vida eterna com Cristo – garantida pela Graça inefável consumada na Cruz do Calvário.

Agradeço a Ti, Senhor, pela tradição espiritual que legamos através da vida
de meu pai e de minha mãe – pois ela tem sido
o que de mais valioso nós temos – pois, se tudo passa,
sabemos que temos uma alma eterna cuja existência
deve glorificar a Deus.

Obrigado, Senhor, pela vida de meu pai!


José J Azevedo, 13.08.2006






terça-feira, agosto 08, 2006

CORAGEM

A coragem, o medo e o temor


Anotei da Internet a antiga fábula do camundongo que vivia angustiado, com medo do gato. Um mágico teve pena dele e transformou o rato em um gato. Mas aí ele ficou com medo do cão, por isso o mágico o transformou em pantera. O animal, então, passou a temer os caçadores. O mágico, decepcionado, transformou-o novamente em camundongo, e disse: Nada que eu faça por você vai ajudá-lo, porque você tem apenas a coragem de um camundongo. É preciso coragem para romper com a situação que nos é imposta – às vezes opressiva e injusta. Devemos entender que coragem não é a ausência do medo, é sim a capacidade de avançar, apesar do medo. O medo, bem usado, torna-se aliado. Então, com prudência, poderemos caminhar para frente, enfrentar crises... Para vislumbrar o futuro com esperança precisamos ser movidos por ideais, com o coração voltado para a glória de Deus, como um discípulo do Amor. Deus é a força que criou e que move o mundo. Não podemos aceitar derrotas, nem ficar imobilizados por causa do medo. Podemos vencer quando negamos a auto-suficiência para seguir a Cristo.

01. O MEDO IMOBILIZA

A palavra medo vem da palavra grega “phobos” de onde apareceu à palavra fobia, que quer dizer medo mórbido, horror instintivo, aversão. Mateus descreve como Jesus aquietou a tempestade: “Acalma-te, emudece!” O vento serenou, e fez-se grande bonança. Depois Jesus admoestou seus discípulos: “Por que sois assim tímidos?! Como é que não tendes fé?” E eles, possuídos de grande temor, diziam uns aos outros: Quem é este que até o vento e o mar lhe obedecem” (Mateus 4.39-41).Quando nossa confiança está apenas no que temos, no que somos, em nossas próprias forças – poderemos ficar imobilizados pelo medo do futuro e medo das situações que nos afligem. Por certo não era a primeira tempestade que aqueles homens do mar estavam acostumados a enfrentar. Eram pescadores experientes – confiavam em suas habilidades e na força de seu braço. Porém, chegou o momento do medo, que virou pavor e os imobilizou. Enquanto não recorreram a Jesus permaneceram no pavor e na imobilidade.

02. O TEMOR EDIFICA

Temor significa: Sentimento de reverência, respeito, zelo piedoso a Deus. Os discípulos aprenderam a lição ao verem e reconhecerem Jesus como aquele que até o vento e o mar obedecem. O medo foi milagrosamente transformado em temor. Reverenciaram a Cristo e foram edificados em sua fé. A prova fortaleceu seu conhecimento de Deus.Nem sempre, porém, o ser humano tem sabedoria para tirar uma boa lição da provação.Os gerasenos, por exemplo, viram Jesus expulsar cerca de dois mil demônios que atormentavam um homem – e permitiu que entrassem numa manada de porcos. Em vez de glorificarem a Deus, pediram para Jesus sair da terra deles, “pois estavam possuídos de grande medo”. Continuaram no medo e na insegurança das posses materiais – rejeitando o temor a Deus. O medo excessivo leva a descrença, a rejeição de Deus. O temor, porém, nos faz dobrar diante daquEle que criou os céus e a terra.Quando aprendemos e enfrentamos os medos - e passamos a viver pela fé – com prudência, é claro, vemos as nuvens se dissiparem e aparecer o sol no céu e na terra de nossa existência.

03. A CORAGEM LEVA A AÇÃO

Moisés a Josué e povo de Israel/Deuteronômio 31.12-13: “... Ajuntai o povo, os homens, as mulheres, os meninos e o estrangeiro que está dentro da vossa cidade, para que ouçam, e aprendam, e temam o Senhor, vosso Deus, e cuidem de cumprir todas as palavras desta lei; para que seus filhos que não a souberem ouçam e aprendam a temer o Senhor, vosso Deus, todos os dias que viverdes sobre a terra à qual ides, passando o Jordão, para a possuir”. Quando trocamos o medo pelo temor a Deus ganhamos como aliada a coragem.Atos 23.11: “Na noite seguinte, o Senhor, pondo-se ao lado dele, disse: Coragem! Pois do modo porque deste testemunho a meu respeito, assim importa que também o faças em Roma”. O Espírito de Deus, que mora no coração dos seus escolhidos, nos encoraja, incentiva, tira da imobilidade para a ação criativa e benéfica. Coragem: Bravura diante do perigo; Intrepidez, ousadia; perseverança, constância. O medo nos imobiliza e nos leva a uma rotina que escraviza.A coragem é construída pela fé – isto é, viver na dependência de Deus.O medo é inimigo da paz, nos faz fechar em nós mesmos – nos leva a desconfiança e até a crendices espirituais que nos aprisionam mais ainda.A sabedoria vem quando há o temor a Deus: “O temor a Deus é o princípio da sabedoria”. Jesus sempre exortava a rejeitar o medo doentio: “Não temais, pois, Bem mais valeis do que muitos pardais”. Diante da aparição de Moisés e Elias, falando com Jesus “os discípulos caíram de bruços, tomados de grande medo”. Jesus aproximou-se deles, tocou-lhes, dizendo: “Erguei-vos e não temais” (Mateus 17.1-8). O medo nos deixa prostrados, caídos e sem forças. O Amor perfeito de Deus nos levanta, consola e edifica. Jesus é a fonte desse amor que permeia o mundo – só Ele nos dá coragem para prosseguir no caminho da fé.

DESAFIO

Não me envergonho do Evangelho, porque é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê... visto que a justiça de Deus se revela no evangelho, como está escrito: O justo viverá por fé” (Romanos 1.16-17). Todos temos medo e motivos para isso. Porém somos de Deus – não pertencemos a nós mesmos. Andamos, pois, pela fé – firmes nas promessas. A fé nos leva a agir com coragem, ousadia e generosidade. O temor a Deus nos dá uma mente e um coração sábio. O JUSTO VIVERÁ PELA FÉ – O caminho é estreito, mas é a única garantia de vitória real, alegria genuína, paz e amor inabalável. (José J Azevedo, 2006).